As Religiões E A Tática do Medo

Por acaso, você já parou para se perguntar quantas religiões existem no mundo?

Segundo o Boletim Internacional de Pesquisa Missionária, preparado pelo professor David Barrett da Universidade Regent, há, atualmente, mais de 10.000 religiões diferentes no planeta.

O número de divindades cultuadas, por sua vez, não deve chegar a uma quantidade tão vasta, já que algumas dessas religiões seguem a mesma entidade divina, somente apresentando divergências a respeito da maneira como isso deve ser feito.

Em meio a tantas opções de crenças, cada uma afirmando ser a forma correta e infalível de se seguir os ensinamentos de determinada entidade suprema, como alguém poderia saber exatamente qual é a verdadeira? Note-se que o fato de haver menos deuses não chega a tornar essa escolha muito mais fácil, já que isso só significa que além de escolher corretamente qual entidade divina seguir, você também teria que escolher corretamente o modo de agradá-la.

Esses dados me fazem pensar em quão irônica se torna a questão dirigida em tom de desafio aos descrentes, tornada famosa pela Aposta de Pascal: e se os ateus estiverem errados em sua descrença?

Bom, pode até ser que o universo funcione de uma maneira improbabilíssima e que nós estejamos errados. Mas se alguma divindade realmente existe e alguém segue determinada orientação religiosa visando a agradá-la, é mais do que claro que suas chances de estar agindo corretamente também não são nada animadoras.

Na verdade, considerando-se a quantidade de posições religiosas existentes, a chance de se escolher a correta é menor que 1 em 10.000, o que equivale a menos de 0,01%. A chance de ganhar o prêmio máximo da mega-sena apostando em 15 números é um pouco maior. E, sem querer desanimar ninguém, da última vez em que alguém tentou fazer isso, só acertou duas dezenas.

Escolher a religião certa seria mais ou menos como acertar a loteria?

Escolher a religião certa seria mais ou menos como acertar a loteria?

Não é difícil perceber que, se realmente existisse uma entidade divina e você não tivesse feito a escolha correta em relação aos seus preceitos religiosos, a cada dia que passa você a estaria desagradando mais e mais. A fatídica pergunta poderia ser então redirecionada a Pascal: e se você estiver errado em sua crença?

Imagine-se chegando à fila do paraíso no dia em que morrer para descobrir que, na verdade, engolir uma hóstia é considerado um pecado supremo pelo deus Bahamoot. Ou que rezar pedindo proteção divina é uma heresia aos olhos de Amunet, a verdadeira deusa. Ou que discriminar uma pessoa com base em sua orientação sexual é uma ofensa ao Monstro do Espaguete Voador. Provavelmente seria uma enorme decepção a qualquer um que devotou sua vida a outra crença, como já foi comicamente demonstrado em uma esquete do grupo Porta dos Fundos.

Mas, obviamente, essa escolha não é feita de forma consciente. Ninguém nunca procurou e nunca irá procurar saber quais são as crenças e determinações de todas as 10.000 religiões existentes para então decidir de maneira lógica e racional qual é a que faz mais sentido.

Pelo contrário. As crenças religiosas normalmente são impostas às pessoas ainda durante a infância por meio de doutrinamento, seja oriundo dos pais, de parentes, professores ou de algum líder religioso próximo à família. A criança, então, cresce imaginando que aquela orientação religiosa recebida é, indubitavelmente, a correta.

Alguém mais fazia perguntas embaraçosas durante o catecismo, ou era só eu?

Exemplo de doutrinamento infantil na ICAR. Alguém mais fazia perguntas embaraçosas durante o catecismo, ou era só eu?

Porém, à medida em que amadurecemos, adquirimos mais conhecimento e entramos em contato com diferentes pessoas e culturas. Então duas coisas podem acontecer: ou essas doutrinas religiosas já estarão tão aprofundadas em nossa consciência que ao chegar à maturidade elas serão tratadas como verdades absolutas, moldando nosso modo de pensar e atitudes, ou surgirão dúvidas que farão com que comecemos a nos questionar a respeito de alguns pontos de nossas crenças. Os mais radicais nessa última postura provavelmente serão os que se identificarão como ateus ou agnósticos em um momento posterior. E os que forem menos drásticos nessas dúvidas podem decidir parar de seguir uma determinada orientação religiosa e passar a achar que alguma outra entre as mais de 10.000 possibilidades de crenças é mais atraente que a sua atual.

Percebendo o quanto essa tendência é perigosa para a manutenção do número de seus fieis, os líderes religiosos se valem de uma série de táticas para fazer com que seus seguidores permaneçam em suas fileiras mesmo após o surgimento de dúvidas irrespondíveis.

E uma das táticas mais utilizadas para esse fim é instigar o medo. Busca-se associar alguma consequência extremamente negativa ao cometimento de condutas condenadas pela orientação religiosa em questão, à perda da fé ou ao desvio da crença em determinada doutrina. Essa tática é utilizada em praticamente todas as grandes religiões do mundo. O que varia entre uma e outra é somente a consequência de um possível desencaminhamento.

Embora parte desse medo seja incutido fazendo-se ameaças à vida terrena dos fieis, a grande maioria do amedrontamento instilado pelas religiões se utiliza de outros medos primitivos do ser humano como base para fortalecer seus doutrinamentos : o medo da morte e do desconhecido.

Morrer sempre pareceu um mistério para o homem. Há milênios se imagina que a mente humana de alguma forma sobrevive à morte de seu corpo físico. Mas exatamente o que acontece depois da morte é assunto de discussões e divergências entre praticamente todas as religiões, com cada uma afirmando coisas diferentes e incompatíveis entre si, mas tendo em comum o intuito de amedrontar seus fieis e fazer com que sigam inquestionavelmente suas orientações.

Os egípcios já afirmavam que aqueles que eram julgados como pecadores tinham suas almas devoradas por Ammit, o cão do salão de julgamento dos mortos, e desapareciam para sempre. Hinduístas pregam a lei do Karma: se você foi uma pessoa ruim durante sua vida anterior, passará por dificuldade e sofrimento em sua próxima reencarnação. Já o budismo diz que as almas que não alcançam a iluminação passam pelo Samsara, a repetição eterna de renascimento e morte entre os seis mundos ilusórios. E na mitologia greco-romana existe o Hades, o submundo, onde está localizado o Tártaro, que é o local onde as almas dos pecadores vão para serem torturadas.

Ammit, a Roda de Samsara e o Tártaro. A idéia do castigo para os pecadores era diferente para cada crença.

Ammit, a Roda de Samsara e o Tártaro. A ideia de castigo após a morte para os pecadores e descrentes persiste, independente da crença.

Porém, o conceito de punição para aqueles que não seguirem determinados preceitos religiosos nunca foi tão bem utilizado visando ao arrebanhamento de fieis até o advento das religiões judaico-cristãs.

Os judeus, segundo a interpretação de suas escrituras sagradas, já defendiam a ideia de que as almas dos pecadores iam para um lugar de purificação, chamado de Gehenna. Porém, eles acreditavam que após algum tempo de purgação, essas almas poderiam se juntar a Deus no Gan Eden, o paraíso.

Essa visão de sofrimento temporário para eliminação dos pecados começou a mudar após o contato dos judeus com o Zoroastrismo, no século IV a.C., durante o cativeiro da Babilônia. O profeta Zaratustra descrevia a existência de um ser chamado Arimã, que, segundo suas palavras, era o “príncipe da trevas”. Mais tarde, nos primórdios do cristianismo, essas ideias foram aprimoradas e associadas a outros entendimentos para originar o conceito da entidade maléfica que mais tarde viria a receber mais alcunhas que o próprio Deus: o Demônio, Capeta, Lúcifer, Diabo, Coisa-ruim etc.

Após a definição do cânone bíblico e da consolidação da Igreja Católica no ocidente, o Diabo passou a ser visto como o derradeiro inimigo de Deus e dos cristãos e o inferno era tido como seu lar. Ele possuía ainda uma legião de demônios a seu dispor, que existiam única e exclusivamente para tentar as pessoas e açoitar para sempre aqueles que sucumbissem à sedução de se desviar dos caminhos do Senhor.

Essa ideia de um lugar de fogo onde havia tormento eterno consolidou-se de vez no século XIV, após o poeta italiano Dante Alighieri escrever seu clássico épico, a Divina Comédia, onde eram descritos em mínimos detalhes todos os horrores que aguardavam àqueles que haviam cometido em vida transgressões às ordens divinas. Essas ideias resistiram ao teste do tempo e permanecem até hoje na mitologia cristã que permeia nossa sociedade.

Hereges queimando no fogo do inferno. Passagem da Divina Comédia ilustrada pelo artista Gustave Doré.

Hereges queimando no fogo do inferno. Passagem da Divina Comédia ilustrada pelo artista Gustave Doré.

Não é difícil hoje em dia encontrar cristãos impregnados com esse medo de não estarem agradando a Deus, preocupados com cada ação tomada, temendo serem lançados nas chamas do inferno no pós-vida.

O que é um sentimento compreensível, considerando-se que a maioria dos cristãos são criados em meio a ensinamentos que estimulam esse temor à divindade e seguem um livro que diz que até seus pensamentos são potenciais causas de condenação:

Ninguém, pois, engane ao seu próximo; mas terás temor do teu Deus; porque eu sou o Senhor vosso Deus.

Levítico 25:17

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre.

Salmos 111:10

E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.

Lucas 12:4-5

Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

Mateus 5:28-29

Esse medo do julgamento divino pode ser uma ótima ferramenta na mão de líderes religiosos que desejem manter o controle sobre sua congregação. Basta associar a ideia de pecado a qualquer atitude ou pensamento que vá contra seus interesses pessoais, reinterpretar alguma passagem bíblica de forma que respalde esse entendimento e afirmar contundentemente que os perpetradores de tais atos serão torturados para todo o sempre no inferno. Pronto. Seus fieis farão tudo que você disser que é o correto, sem parar para pensar muito a respeito, preocupados em não serem punidos perante o tribunal divino.

Exemplos disso podem ser encontrados cotidianamente. Líderes religiosos usam do medo para incitar seus seguidores a efetuarem colaborações monetárias à sua igreja, a votarem em determinados candidatos políticos e até a não se envolverem em determinado tipo de atividade sexual, sob a ameaça de não alcançarem a salvação após a morte.

Essa utilização do medo para a sustentação de instituições religiosas já havia sido notada por Bertrand Russell em seu ensaio “Porque não sou cristão“:

“A religião baseia-se, penso eu, principalmente e antes de tudo, no medo. É, em parte, o terror do desconhecido e, em parte, como já o disse, o desejo de se sentir que se tem uma espécie de irmão mais velho que se porá de nosso lado em todas as nossas dificuldades e disputas. O medo é a base de toda essa questão: o medo do mistério, o medo da derrota, o medo da morte. O medo é a fonte da crueldade e, por conseguinte, não é de estranhar que a crueldade e a religião tenham andado de mãos dadas. Isso porque o medo é a base dessas duas coisas.”

Utilizar-se de intimidação para impor uma visão de mundo, para coagir seus seguidores a seguirem determinada crença ou tomarem algumas atitudes em proveito próprio é uma óbvia perversão. Mas além disso, quando essa reprovável conduta é tomada pelos líderes religiosos, originam ainda um relevante questionamento teológico: adorar uma entidade divina somente por temor de sofrer uma punição pode ser considerado como algo louvável?

Se alguém diz amar a Deus simplesmente porque sabe que se não o fizer será lançado em chamas eternas, isso pode ser realmente chamado de amor? Quem segue os ensinamentos de uma entidade divina não por concordar com eles em sua essência, mas por saber que será punido se não o fizer, pode ser considerada uma pessoa digna? Aliás, uma divindade que exige isso de seus fieis poderia ser considerada justa? Imagine uma pessoa com uma arma apontada para sua cabeça. Ela exige que você a ame, ou irá estourar seu cérebro. Suponho que o que quer que você sentisse por ela depois disso dificilmente seria chamado de amor.

Uma outra consequência dessa política de amedrontamento é que após serem introduzidos nessa doutrina, os fieis passam a ficar receosos de fazer qualquer coisa sem se certificar de que estão autorizados a fazê-lo. Eles se tornam incapazes de analisar criticamente suas próprias ações e pensamentos, dependendo da aprovação de uma figura de autoridade, preocupados em não desagradar uma suposta vontade divina.

Em sites de discussão gospel existem sessões inteiras dedicadas a debater o que é considerado pecado e o que não é, que são celeiros de dúvidas instigantes como as exemplificadas abaixo:

Escrever artigos heréticos é pecado?

Escrever artigos heréticos é pecado?

Aparentemente o medo de cometer algum deslize aos olhos de Deus e ser condenado a uma eternidade de sofrimento faz com que as pessoas percam ou ignorem totalmente seu senso crítico, tornando-se incapazes de formar seu próprio juízo a respeito de alguma atitude ou pensamento. Não há necessidade ou permissão de se parar para analisar se tal prática faz mal ou bem, se dá prazer, se machuca alguém, se é justificável ou não. O que importa é simplesmente o que Deus permite ou não fazer. Ou, a bem da verdade, como Deus não aparece pessoalmente para dar sua opinião a respeito de nada desde os tempos de Moisés, o que o líder religioso ou a congregação acham que Deus permite ou não fazer.

Já passou da hora de o ser humano ser capaz de andar com as próprias pernas. De olhar para si mesmo e para o mundo de maneira honesta, utilizando de sua capacidade única de raciocínio para pautar os caminhos que devem ser seguidos.

Podemos escolher agora mesmo: ou gozaremos de vidas melhores, permitindo o livre pensar, debates e questionamentos, ou continuaremos encarcerados em uma redoma de terror imposta por palavras e pensamentos proferidos há séculos por homens que detinham muito menos conhecimento a respeito do mundo que qualquer criança moderna bem instruída.

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8 Comentários

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8 Respostas para “As Religiões E A Tática do Medo

  1. Guilherme

    Cara, texto muito bem elaborado, parabéns continue sempre assim.

    Concordo em muito sobre o que disse, e vou continuar lendo seus artigos.

    http://www.temaota.com

  2. João Dias

    O meu ponto de vista da vida depois da morte é tão simples que a maioria das pessoas ainda não quis entender. Então, quando morremos perdemos a capacidade de ver, ouvir, sentir, cheirar, saborear, falar. Se não conseguimos usar os nossos órgãos, pois eles já morreram o que seria então a vida depois da morte, um buraco negro? E imaginar que se “viveria” apenas com a alma e os pensamentos para a eternidade é tão triste e tão entediante que espero não ter esse destino. Só quero morrer e pronto,fim!!!

  3. Assembleano

    É verdade que o homem criado por Deus tem a faculdade do “Livre-arbítrio” concedida pelo mesmo Deus ao homem. Esta faculdade, faz com que o homem seja diferente dos animais sendo racionais e arcando com as consequências dos seus atos; sejam bons e/ou ruins. No entanto, Deus dá à todo ser humano a oportunidade de conhecer a verdade que é Jesus Cristo o Salvador, daí que esta seriedade em defender e justificar a não existência de Deus pela existência das inúmeras religiões torna-se quase inútil mas justificável pela Bíblia que diz em Romanos 1 “17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
    18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
    19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
    20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
    21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
    22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
    23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
    24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
    25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
    26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
    27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
    28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;
    29 Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;
    30 Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;
    31 Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
    32 Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem”. Deus vos abençoe!

    • Você há de concordar comigo que se você tem a faculdade de fazer ou não fazer algo que lhe é ordenado, mas será punido caso decida não fazer, isso dificilmente pode ser chamado de “livre” arbítrio?

      • Assembleano

        Caro Pedro Lemos, não sei se leu o meu comentário até ao fim, mas não importa. Quando menciono o livre arbítrio, falo focando à escolha independentemente de consequência da mesma. Se ou não é punido pela escolha, o certo é que se pode escolher entre o certo e o errado; entre o preto e o branco. Leia Deuteronómio 28

      • Sim, eu li sua resposta até o fim. Mas eu já conhecia essa passagem de I Romanos. Também já conheço a do Deuteronômio que você mencionou. Aliás, eu conheço a Bíblia inteira. E a vejo somente como ela é, um livro elaborado por seres humanos ao longo de vários séculos, com diversos interesses em mente. A história por trás da elaboração do próprio Deuteronômio é interessante, você conhece?

        Quanto ao livre arbítrio, que você diz ser a escolha entre o certo e errado: então me parece que o que você define como livre arbítrio é simplesmente a definição de moral, que é discutida pela humanidade desde que o homem se organizou em sociedade, muito antes do surgimento das religiões abraâmicas. Antes mesmo do cristianismo, os gregos já se perguntavam o que era fazer o certo e o errado. Confúcio fazia isso na China 500 anos antes de Cristo nascer. E é provável que algum outro pensador já tivesse feito isso, mas, infelizmente, só temos acessos a uma fração dos dados históricos.

  4. Elmo Dórea

    ‘O cara’ criou o livre arbítrio; não teria algo menos burro para criar?

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