Sexo & Religião

“Amor é Cristão

Sexo é Pagão[…]

Amor é divino,

Sexo é animal.”

Cada ser humano é único. Todos temos uma visão de mundo singular, em relação a qualquer tema. E com o sexo não poderia ser diferente. As formas de se encarar as relações sexuais são tão variadas quanto o número de indivíduos da raça humana.

E, como deixa claro este trecho acima da música “Amor E Sexo” da Rita Lee (composta com base nesse artigo do Arnaldo Jabor), muitas vezes, quando se segue uma religião, suas crenças podem interferir na forma de se enxergar este assunto.

Desde que foi inventada pelo ser humano, a religião tem a pretensão de se imiscuir em todas as esferas da vivência humana. Líderes religiosos de diferentes crenças já ousaram ditar a maneira correta de se vestir, de comer, do que falar e o que pensar. E o sexo, por sua vez, também nunca esteve ausente da lista de preocupações religiosas.

Segundo alguns estudiosos de egiptologia, o Papiro de Turim, um dos primeiros registros de elementos sobrenaturais da história, aparentemente é também o primeiro manual de sexo da história. Com várias imagens de atividades sexuais, possivelmente focadas na realeza egípcia, o papiro mostra que as crenças religiosas dos egípcios e suas atividades eróticas já estavam bastante interligadas. Outros documentos sugerem ainda que os egípcios acreditavam que o mundo foi criado por seus deuses através do sexo e da procriação.

Cenas eróticas presentes no Papiro de Turim

Cenas eróticas presentes no Papiro de Turim

Já o hinduísmo vê o kama (prazer, desejo) como um dos quatro objetivos do ser humano em vida. A atividade sexual é permitida e até incentivada, como forma de se alcançar a moksha (libertação, iluminação). Foi com base nessa filosofia que teve origem o famoso manual sexual Kama Sutra, escrito provavelmente no século 2 d.C.

O islamismo também não ficou atrás em termos de orientação sexual a seus adeptos. O Jardim Perfumado, ou O Jardim das Delícias, é um outro manual sexual, escrito pelo xeique Muhammad Al-Nafzawi entre os anos de 1410 e 1434, por encomenda do sultão Abd Al-Aziz Abu Faris, e apresenta uma lista de qualidades que homens e mulheres devem ter para serem considerados atraentes e também dá dicas e conselhos sobre posições e atividades sexuais, além de receitas para tratar e evitar algumas doenças sexualmente transmissíveis.

E, como não podia deixar de ser, as religiões judaico-cristãs também têm suas próprias orientações e determinações relacionadas ao sexo. Já no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, Jeová demonstra a enorme importância que ele dá aos pênis de seus subordinados – ou pelo menos a uma parte deles – ordenando que todos os homens da tribo de Abraão sejam circuncidados, tendo seus prepúcios cortados:

“Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado.”

Gênesis 17:10

Daí pra frente, a Bíblia passa a oferecer uma série de ordens, proibições e orientações quanto à prática sexual.

Tendo sido escrita em boa parte pelos hebreus, um povo que possuía uma estrutura social extremamente patriarcal, a Bíblia acabou absorvendo muito da visão de mundo machista existente à época de sua elaboração, tratando as mulheres basicamente como chocadeiras que serviam apenas para trazer mais filhos (de preferência varões) ao mundo. Nesse ponto é curioso observar que, sempre que um casal bíblico sofre a tragédia de não conseguir gerar filhos, a culpa é exclusivamente da metade feminina do casal.

Esse desprezo à feminilidade já fica nítido nos primeiros capítulos do livro sagrado. Enquanto o homem é criado a partir do barro pelo sopro da vida dado pelo próprio Criador, a mulher é oriunda de uma mera costela do homem. É também por culpa da mulher, influenciada pela serpente, que o homem comete o pecado original ao comer do fruto proibido da árvore do conhecimento e acaba sendo expulso do paraíso. As subsequentes pregações da submissão da mulher ao homem passam a ser então justificadas por conta desta transgressão e são deixadas bem claras pelo texto bíblico:

“E à mulher [o Senhor] disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.”

Gênesis 3:16

Como se pode perceber, o deus Hebraico faz questão de, desde o início do mundo, deixar bem evidente para seus fiéis que as mulheres devem ser sempre submissas aos homens. Isso explica a naturalidade com que a Bíblia tolera ou até ordena situações como a escravidão sexual de mulheres, a oferta de mulheres para casamento sem o consentimento da noiva, a permissão da poligamia somente para o lado masculino da relação e o apedrejamento de mulheres adúlteras (a bem da verdade o Levítico também manda apedrejar os homens que cometem adultério, mas somente se a mulher com quem ele cometeu também era casada, o que me leva a deduzir que se ele o tivesse feito com uma solteira não haveria problema, logo, na verdade, a ofensa dele foi ao marido da adúltera, não à sua própria esposa).

Essa visão misógina da Bíblia causa reflexos até hoje na sociedade. Muitos homens crescem acreditando que o prazer sexual é exclusividade do universo masculino e que as mulheres não podem demonstrar vontade de fazer sexo. Ela ajuda a explicar também a percepção que nossa sociedade tem da obrigação feminina de se manter casta ou de encobrir sua sexualidade, como demonstra a recente pesquisa feita pelo IPEA em que 65% dos entrevistados afirmaram que mulheres que usam roupas que exibem o corpo merecem ser estupradas.

Aliado a esse ponto de vista androcêntrico, o conservadorismo cristão também acabou tendo grande influência na maneira como a sociedade ocidental encara as relações sexuais. Com o crescimento do poder da Igreja Católica na Idade Média, a atividade sexual passou a ser vista somente como um meio de se reproduzir. Tudo o mais que fosse relacionado ao sexo e não tivesse essa finalidade, inclusive o prazer, era considerado pecado.

Segundo São Paulo, a posição do missionário (papai-e-mamãe) é a única adequada, pois sujeita a esposa ao marido.

Segundo São Paulo, a posição do missionário (papai-e-mamãe) é a única apropriada para o sexo, pois sujeita a esposa ao marido.

Esse modo de pensar decorria da interpretação de diversas passagens bíblicas que supostamente indicam como, quando e porque o sexo deve ser feito.

O grande problema nesse caso é que, como quase tudo na Bíblia, essas passagens não são tão diretas assim, estando sujeitas a diferentes interpretações. O que alguns leitores do texto sagrado veem como proibido pode parecer permitido a outros.

Na Idade Média isso era fácil de resolver: o que o Papa ou a cúpula da Igreja achavam que era o certo, passava a ser o certo e ponto. Por isso quando a Igreja afirmava que, por exemplo, a masturbação era proibida por ser decorrente do vício da luxúria, ou que usar decotes pronunciados era sintoma de bruxaria, ninguém ousava questionar.

Porém, a partir do momento em que as interpretações da Igreja e do Clero deixaram de ser absolutas, as análises sobre o verdadeiro significado das ordens bíblicas também passaram a ser das mais diversas. E em um país onde 87% da população segue religiões que veem a Bíblia como a palavra divina, isso pode, no mínimo, causar alguns conflitos, inclusive em relação à orientação sexual.

O que vou dizer agora pode vir como uma surpresa para alguns leitores do blog, mas eu faço parte de um site gospel de discussões religiosas, o gospelmais.com.br. O motivo para eu participar desse site são variados (e não, pregar o ateísmo não é um deles), e nem vêm ao caso agora.

O que é relevante para o que eu quero discutir nesse post é a preocupação que eu vejo em alguns religiosos de se estar agradando ou não à sua entidade divina ao se praticar determinados comportamentos sexuais.

Algumas dúvidas dos crentes em relação ao sexo.

Algumas dúvidas dos crentes em relação ao sexo, expostas no site.

E olha que essas acima nem são as perguntas mais absurdas com que eu já me deparei…

Isso demonstra o quanto, mesmo em plena era da informação, algumas pessoas ainda se deixam influenciar pelas doutrinas religiosas em seu comportamento sexual (na verdade em todo tipo de comportamento, mas, bem, hoje o post é só sobre sexo). E isto pode ser extremamente nocivo em alguns casos, fazendo com que as pessoas sofram traumas psicológicos em virtude de possíveis repressões, ou ocasionando uma gravidez indesejada ou, pior ainda, a contração de doenças sexualmente transmissíveis, apenas por se seguirem determinados dogmas religiosos.

Imagina se todos os jovens pensassem dessa maneira ao iniciar a vida sexual...

Imagine se todos os jovens considerassem essa orientação religiosa como correta ao iniciar a vida sexual…

Com isso, a ótica religiosa em relação ao sexo acaba, por vezes, fazendo inconsequentemente com que um ato que deveria trazer prazer e fortalecer as relações amorosas se transforme em uma obrigação ou em um risco.

Além dos problemas particulares que essa visão de mundo pode acarretar, há ainda os males sociais que podem ser causados por ela. Acreditar que o sexo deve ser feito desse ou daquele modo por ordens de Deus é o que muitas vezes leva as sociedades a adotarem regras e costumes retrógrados como a proibição do aborto a vítimas de crimes sexuais, a “cura” gay, ou a infibulação. Isso até seria aceitável se os religiosos seguissem essas regras e deixassem os outros se comportar da maneira que achassem melhor, porém, como costuma ocorrer nesses casos, não contentes em seguir um determinado modo de vida, eles acham justo determinar a todo o resto da sociedade a maneira certa de se comportar, inclusive a quem não tem nada a ver com suas crenças religiosas.

Na verdade, os problemas que a religião pode trazer na esfera sexual têm a mesma causa dos problemas que ela pode trazer em qualquer outra área: o fato de se imaginar que se deve agir de determinada maneira por conta de uma suposta vontade divina revelada. Assim, o que determina se algo é certo ou errado acaba sendo sempre o que doutrinadores de uma religião acham que seja certo ou errado, não a situação per se.

Afinal, fazendo uma análise objetiva da coisa, qual é exatamente o problema de se fazer sexo com uma borracha em volta do órgão genital? Ou de se praticar sexo anal? Ou sexo a três? Ou sexo com pessoas do mesmo gênero? Pergunte a qualquer pessoa religiosa qual é objetivamente o problema de qualquer dessas situações, uma vez que os parceiros sexuais estejam de acordo e não causando mal a ninguém fora da relação, e a resposta será sempre a mesma: Deus não gosta; Deus não quer; Deus proíbe.

Assim, o comportamento analisado ou suas consequências pouco importam para se classificá-lo como certo ou errado. A única argumentação apresentada é a certeza de que se conhece exatamente as vontades e aspirações divinas. E como essa vontade é conhecida? O líder da religião que a pessoa segue (ou algum outro seguidor) afirma que é dessa maneira que devemos interpretar uma parte específica de um livro escrito há 3.000 anos por uma tribo hebreia do deserto que possuía uma cultura completamente diferente da nossa, dizendo o que a divindade deles achava do assunto. Parece um comportamento razoável?

Um ótimo exemplo de como algumas pessoas "concluem" o que se pode ou não fazer no sexo.

Um ótimo exemplo do único modo de que algumas pessoas dispõem para “deduzir” o que se pode ou não fazer no sexo.

Bom, podem me chamem de liberal, de radical, de moderno, o que for, mas eu parto do seguinte princípio: se alguma atividade sexual, seja qual for, faz com que seus praticantes se sintam felizes e não prejudica a ninguém, ela pode ser livremente exercida. Qualquer análise além disso está arriscada a parecer loucura. E nesse ponto, acho que a Rita Lee também concordaria comigo:

“Mais louco é quem me diz

Que não é feliz,

Não é feliz.”

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19 Comentários

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19 Respostas para “Sexo & Religião

  1. Guilherme

    Rapaz, concordo totalmente com seu pensamento… Religião domina as pessoas, e fazem com que ela se tornem seus escravos… Muito tenso isso..

  2. uli

    Quem disse que Paulo defendia somente o sexo papai e mamãe?

  3. uli

    Quem disse que Paulo defendia somente o sexo papai e mamãe????
    (considere este comentario, pois nesse aki eu cliquei no aviso por email)

    • Na verdade Paulo não dizia diretamente isso. Essa foi a conclusão a que os doutrinadores católicos chegaram ao analisar as palavras de Paulo: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-era-o-sexo-na-idade-media

      • uli

        Ahh!! Agora sim!!! Gostei!!
        Poxa, eu tava aqui achando que estava ficando maluco!! Nunca vi o Ap. paulo dizer isso!!! Ufa…
        Muito bem colocado: uma coisa eh o que ele disse; outra coisa eh o que fizeram com o que ele disse!! A gente precisa saber diferenciar o que a foi dito do que fizeram com o que foi dito. Se não, vamos ter que jogar todas as facas em nossa casa fora, pois faca eh arma:S
        Pensemos: o livro de Cântico dos Cânticos eh uma verdadeira celebração e convite ao amor conjugal!! Como Paulo, um judeu conhecedor das Escrituras, iria falar contra o prazer limitando o sexo a posição X ou Y?
        Tem também uma pasasgem em Coríntios em ele (Paulo) diz que o homem e a mulher têm “deveres” (rs) um para com o outro. Eles não devem se privar (!) um do outro, a não ser por mútuo (!) consentimento. Beleza?

      • Eu não diria que Paulo é exatamente um incentivador do amor carnal. Ao meu ver, a visão de Paulo sobre o sexo é que seria melhor que ele não existisse, mas como existe, é melhor que seja feito de uma maneira específica do que de qualquer maneira.

        Basta ver que ele fala coisas como “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.” (I Co 7:1-2) “Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher.” (I Co 7:27).

        Como se pode ver, Paulo (ou quem se fazia passar por Paulo) acha que a melhor coisa do mundo é que as pessoas fiquem abstinentes. Isso pode parecer estranho quando não se conhece a posição teológica paulina, afinal, se todos os humanos deixassem de fazer sexo, a humanidade seria extinta em uma geração. Mas isso é facilmente explicável quando percebemos que Paulo tem uma visão escatológica de mundo. Para ele, assim como para boa parte dos cristãos primitivos, o fim do mundo estava próximo, logo ali na esquina. Portanto, não havia tempo ou necessidade de se fazer sexo. Os homens não deveriam gastar preciosos minutos que poderiam estar sendo gastos na purificação em preparação para o fim dos tempos fornicando.

      • uli

        Bem, Pedro, fico feliz em que você diga “a meu ver”. É o que você acha. Assim é melhor, pois não vou precisar fundamentar um estudo exegético a uma hora dessas. Afinal, trata-se da sua opinião.
        Uma falha que muitos de nós apresentamos na leitura da Bíblia eh não levar em conta a oralidade do discurso. Algumas coisas que se estão dizendo na verdade são transcrições de algo que teria sido dito, e aí entram recursos como metáforas, hipérboles, ironias e coisas do gênero. É claro que os leitores imediatos percebiam isso, logo os objetivos eram alcançados. Ah, outra coisa: não nos esqueçamos de diferenciar os documentos, digamos, mais teológicos de Paulo de seus documentos mais “pontuais” (estou usando esses termos por falta de algo melhor e em nome da praticidade). Lembre-se de que uma explicação fazer sentido nem sempre a configura como verdadeira;)
        Quanto ao fim do mundo, eh por aí mesmo, mas repare que isso não configuraria um impedimento ao sexo, pois de acordo com a teologia da criação, o sexo eh bom!!! E Paulo sabia disso (cuidado com o contexto das colocações de Paulo). A ideia de que sexo eh ruim eh dualista, e dualista eh o que Paulo não eh, pela própria antropologia hebraica, que eh também a antropolgia cristã. Mas infelizmente estamos sempre correndo o risco de levar em conta os maus usos em vez de olhar para o que está acontecendo de fato.
        Se o sexo fosse só para a procriação, até faria sentido parar de fazer, mas não era isso que se passava, pois o dualismo não está em jogo.
        Ah, claro, e essa expectativa do fim imediato de modo algum anula a teologia paulina. Pelo contrário…

        Abraço,
        uli

      • Por favor, apresente seu estudo exegético. Tenho minhas opiniões, mas acho importante conhecer as opiniões dos outros e os fundamentos que as sustentam. E pode ser que minha opinião mude também, por que não? Como disse Bertrand Russell: “Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões”. Portanto estou disposto a mudar minha posição a respeito de qualquer assunto, caso as evidências apontem que minha posição inicial estava equivocada.

      • uli

        Vamos fazer o seguinte: estou bem no meio da exegese de uma perícope joanina. Já finalizei praticamente a parte histórica e agora preciso fazer o estudo do texto tem si, além de decifrar o meu próprio rascunho. O problema eh que tenho mais ou menos uma semana para entregar o trabalho, e minha atenção agora vai ficar voltada para isso.
        Assim que eu puder respirar eu vou me dedicar ao estudo de algum texto paulino em especial, de preferência algum que seja mais “pontual”. Os textos que possuem um caráter mais doutrinário e os textos da maturidade não costumam causar problemas, e são exatamente esses que ajudam a entender os casos mais “pontuais”, então primeiramente eu vou precisar fazer uma espécie de introdução às linhas gerais do pensamento teológico paulino para, então, à luz deste, entrar em algum caso mais específico. Mas deixa passar essa semana.
        Vc querendo, eu te mando este texto que estou redigindo (é sobre um escrito joanino; não sei se vai interessar).
        Se quiser, pode me add no skype: uli.teo

  4. uli

    Meu Deus! De onde esse rapaz tirou que sexo sem camisinha eh pecado????

      • uli

        Pedro, essas matérias são todas referentes à postura católica.
        Esse rapaz que colocou o comentário sobre camisinha não eh católico, logo a explicação não passa por aí.
        A “fundamentação” dele eh louca!!! Por isso eu perguntei: de onde ele tirou isso?? Não há qq base para o que ele diz. Se ele parar para pensar um pouquinho, vai ver que milhões de espermatozoides não são aproveitados em uma relação, pois apenas um fecunda o óvulo. Assim, dentro do raciocínio dele, até se houver fecundação temos um problema!!!
        Eu não sei se ele eh doido ou apenas ignorante.

      • Mas é claro que não há qualquer base para o que ele diz. Isso é irracional, independente de ser baseado em uma doutrina católica ou protestante.

        Mas isso não pode ser surpreendente, ou mesmo recriminável, já que católicos e protestantes acreditam em dezenas de outras coisas sem nenhuma base racional. Achar que ele é doido por acreditar em uma coisa dessas e achar que alguém é normal se acreditar, por exemplo, que uma virgem pode engravidar de um espírito ou que um morto pode ressuscitar me parece uma contradição.

      • uli

        Bem, vc forneceu fontes católicas ao meu comentário, então eu fiz meu comentário baseado no que vc trouxe;)
        Falta informação a esse rapaz. Pessoas desse tipo existem em todos os lugaeres. Eu só lamento por ele. E espero que ele não seja tomado como regra. Ah sim, não existe “doutrina” católica ou protestante (seja lá o que vc queira dizer com protestante) para esse tipo de coisa.
        A Igreja Católica tem revisto suas posições quanto a esse assunto, e no protestantismo/evangelicalismo mesmo eh que não vamos encontrar uma postura contrária ao uso da camisinha. Vide declarações doutrinárias. Até porque biblicamente o sexo eh meio de prazer (existe um livro inteiro na Bíblia dedicado ao amor/prazer conjugal), e não tem por objetivo apenas a procriação.

      • Eu evito usar uma pessoa como paradigma para um grupo inteiro, até porque, sendo ateu, eu entendo que cada ser humano tem sua própria visão de mundo, pensa de determinada maneira, independente do rótulo que a sociedade imponha a ele. Mas não me parece que os evangélicos se entusiasmam muito com o uso de camisinha também não, pelo menos segundo as notícias que eu leio a respeito da posição que eles tomam quando o assunto é sexo casual:

        http://www.internautasdecristo.com.br/evangelicos-propoem-mudancas-em-campanha-sobre-camisinha-no-carnaval/
        http://www.midiagospel.com.br/brasil/evangelicos-lei-que-veta-distribuicao-de-camisinhas-nas-escolas
        http://www.verdadegospel.com/bancada-evangelica-cobra-explicacoes-de-haddad-sobre-%E2%80%98maquina-de-camisinha%E2%80%99/
        http://igrejacristovive.com.br/mensagens/sete-mentiras-que-satanas-quer-que-acredites/

        Nesse sentido, realmente não se pode dizer que eles são expressamente contrários ao uso da camisinha. Mas me parece que a posição da maioria das congregações evangélicas é mais ou menos parecida com a de Paulo: o melhor seria que não se fizesse sexo. Mas se quiser fazer, somente dentro do casamento.

      • uli

        Calma. Vamos logo para a sua conclusão: as palavras de Paulo nada têm a ver com o assunto da camisinha, então por favor não faça esse tipo de relação. Como eu mencionei no post anterior, a própria Bíblia valoriza o amor/prazer conjugal, e isso tem de ser levado em conta: o abster-se tem todo um contexto dentro do pensamento paulino. E repito: a posição das “congregações evangélicas” não eh que eh melhor não fazer sexo. Texto sem contexto eh pretexto. Se não a gente acaba jogando para dentro do texto o que não está lá.
        Quanto à questão do protesto dos evangélicos – eu diria “de” evangélicos, e não “dos” – a questão é um pouco mais ampla. Vou dar um exemplo prático: vá a uma escola e proponha o assunto da distribuição de camisinha aos professores. Você vai ver como o grupo vai ficar divido. O problema não são os evangélicos. O problema eh “pessoas”! Toda vez que for pensar sobre os evangélicos ou sobre evangélicos (sim, o artigo faz diferença!!), procure enxergá-los como uma amostra da sociedade. São pessoas!!
        Uma preocupação que vc vai encontrar não apenas entre eles eh a seguinte: estimular o uso da camisinha eh estimular um maior envolvimento sexual, que obviamente potencializa o aumento de DSTs e gravidez indesejada. E, claro, há sempre a preocupação da maturidade entre os adolescentes. Resumo da ópera: é uma preocupação que eh ventilada pelos evangélicos, mas que vai para além deles.
        Vc pode perceber que este eh um dos poucos assuntos sobre os quais acontece esse tipo de alarde, e isso acontece exatamente pq a questão eh bem mais ampla. Existem pessoas fazendo pós-graduação nisso!!!
        Com relação à generalização, eu já sei que vc não o faz, então não vou ficar com medo de v achar que a postura X ou Y eh doutrinária.
        Ah, e cuidado com o doutor miguel;)
        abc

      • Você está me dizendo que há pessoas que pensam seriamente que estimular o uso da camisinha potencializa o aumento de DSTs e de gravidez indesejada? Interessante…

        E qual é sua posição pessoal a respeito do assunto?

      • uli

        Não estou defendendo a abolição da camisinha. Não eh isso. Apenas sei que a questão não eh tao simples como parece.
        O que acontece nas campanhas eh o seguinte: faça sexo!!! Mas use camisnha. Isso parece óbvio, mas nós não temos a menor garantia de que as pessoas todas vão usar a camisinha. Há pesquisas que comprovam que o povo está transando sem camisinha. A campanha tem dois dados: fazer sexo + se preservar, mas muita gente só olha para o fazer sexo, pois ou bem ou mal, as campanhas educativas estimulam o sexo, e a tendência de muita gente é apenas olhar para um lado. Talvez vc nao tenha esse problema, mas entre os adolescentes as coisas podem ser bem diferentes. O número de gravidez entre as adolescentes continua aumentando, apesar de todas as campanhas. Isso nao sou ou quem estou falando. É uma preocupação da saúde pública. E tem uma coisa também: a camisinha não eh 100% segura, ou seja, quanto mais se usa, maior o risco de uma falha. Isso eh sério, mas como não se fala, parece que esse risco não existe. Veja: eu não estou defendendo posição A ou B. Apenas estou tentando mostrar que o assunto eh complexo. Faça o teste que te propus: vá a um grupo de professores e lance o assunto. Isso não eh só uma coisa de “crente fanático”.
        Minha posição? Tenho que levar em conta os dois lados (ou mais) da moeda. Preciso pensar a respeito, e por favor não fique com raiva de mim.

      • Eu não suponho automaticamente que seja “coisa de crente fanático”. Também gosto de ouvir a opinião de todos os lados, e, principalmente, os argumentos usados para embasá-las. E por que eu ficaria com raiva de você apenas por apresentar suas opiniões?

        Apenas discordo de você em alguns pontos. Por exemplo, ao afirmar com tanta convicção que as campanhas de uso de camisinha incentivam o sexo. Ainda não vi nenhum campanha de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis ou da gravidez entre adolescentes que digam enfaticamente: “façam sexo e usem camisinha!”. Pelo contrário, a maior parte das campanhas sérias são feitas justamente de modo a estimular que aqueles jovens que já fariam sexo, independente de a campanha existir ou não, o façam usando a camisinha.

        Essa que estava sendo discutida aqui no Rio em 2011, por exemplo, visava instalar uma máquina que fornecesse camisinhas aos alunos do ensino médio de uma escola, idade em que geralmente as atividades sexuais (não necessariamente o sexo) começam a ser postas em prática. Os alunos teriam acesso aos preservativos através de uma senha, dada somente aos alunos dessa faixa de idade, e se discutia onde seria o local ideal a instalá-las. Mas em nenhum momento se vê o estímulo direto a alguma atividade sexual. Uma coisa aliás, que em adolescentes com os hormônios em ebulição, eu nem acho que precisasse ser estimulada. Se o número de gravidez indesejada entre adolescentes continua subindo, provavelmente não é só porque os adolescentes estão fazendo mais sexo, e sim porque eles estão fazendo mais sexo sem proteção.

        E eu sei que a camisinha não é 100% segura. Nenhum método contraceptivo ou de prevenção de DSTs o é. Mas a eficácia da camisinha gira em torno de 95% para a prevenção de gravidez indesejada e 99% para a prevenção de DSTs, segundo estudos. Entre fazer sexo sem nenhuma proteção e fazer sexo com algo que fornece 95% de proteção, eu acho bem óbvio qual opção o governo deveria incentivar. Se um método qualquer fornecesse 1% de eficácia de prevenção que fosse, já seria preferível a não fazer nada, não é mesmo?

        É claro que sempre se pode argumentar que o Estado deveria incentivar a abstinência sexual como forma 100% garantida de evitar gravidez e DSTs, mas convenhamos né… Estamos falando de adolescentes aqui. Vamos lidar com o mundo real… Sugerir uma coisa dessas é ignorar a realidade, imaginando que vivemos em uma fantasia onde os adolescentes nunca teriam a curiosidade de explorar sua sexualidade e seus corpos.

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