Ciência e ateísmo

A relação entre a ciência e a religião é tópico de acalorados debates há décadas. As duas tentam explicar os fenômenos ocorrentes em nosso mundo, mas enquanto uma se utiliza da fé e do arbítrio divino, a outra faz uso do método científico e de conhecimentos empíricos. Há quem diga que são antagônicas, há quem diga que uma complementa a outra e há quem diga que são magistérios não-interferentes (MNI, ou NOMA).

Idéias conciliáveis?

Idéias conciliáveis?

O fato é que a ciência, devido à própria natureza do método científico, não consegue explicar tudo. Ainda há muitas dúvidas e perguntas sem respostas, em especial aquelas que atormentam a humanidade desde seu começo: como o universo começou, por que existimos, para onde vamos, etc. A maior parte dos religiosos acredita que as respostas para essas perguntas têm que envolver alguma religiosidade.

Porém essa me parece uma saída fácil. Algumas coisas não têm explicação ainda, e talvez nunca venham a ter. Mas isso não quer dizer que a resposta seja “Meu deus fez”, “Tal deus é responsável” ou “Esse deus quis assim”. Essa sempre foi a primeira resposta para o que não tinha solução. Os egípcios adoravam ao Sol como a um Deus. Os gregos, achavam que as tormentas marítimas eram obra de Poseidon. E os cristãos para explicar o surgimento do cosmos e do homem se baseiam na Bíblia e dizem que tudo foi simplesmente criado por Deus em 6 dias.

Na verdade a própria religião tem suas origens nas tentativas de explicar fenômenos naturais que a princípio seriam inexplicáveis. Mitologias inteiras eram criadas usando o mundo real como matéria prima para se tentar desvendar o que não se podia entender.

Porém, à medida em que se vai adquirindo mais conhecimento, alguns fenômenos deixam de ser misteriosos e passam a ser explicáveis. Esses mitos então vão se tornando desnecessários. Quanto mais coisas a ciência consegue explicar, menor é o papel da religião em nosso modo de compreender o universo.

Um exemplo notável disso é a Teoria da Evolução. Concebida por Charles Darwin, com base nas idéias de Lamarck, e publicada em 1859 no livro A Origem das Espécies, a Teoria da Evolução apresentou uma explicação diferente para  a origem do ser humano e trouxe novas implicações filosóficas e culturais para a humanidade. Além de ser revolucionária para a Biologia, a evolução contrariava diretamente aqueles ensinamentos religiosos que davam explicações distintas para a origem do homem.

Embora a teoria de Darwin não atacasse diretamente a religião, ela foi provavelmente o maior exemplo prático de que, assim como a ciência, a religião também não têm todas as respostas, mas, diferentemente daquela, os teóricos religiosos podem inventar coisas aleatoriamente para satisfazer seus fiéis quando não têm alguma explicação plausível para algo.

O duro golpe desferido indiretamente por Darwin foi sentido pelos religiosos. Tanto que até hoje há segmentos de determinadas religiões que negam a evolução ou a ridicularizam. Não é raro ouvirmos pessoas dizendo coisas como: “Se a evolução fosse verdade não seria só uma teoria” ou “Se viemos do macaco, porque ainda existem macacos?“.

Pode parecer turrice negar uma teoria científica amplamente aceita no meio acadêmico, porém esse comportamento é até compreensível em algumas religiões. Pois se, nas palavras de Dawkins, o deus sobre o qual você professa é um deus que serve para preencher as lacunas científicas, conforme a ciência avança e as lacunas desaparecem, ele fica ameaçado de não ter mais utilidade.

Não sei se há alguma pesquisa feita a esse respeito em alguma parte do mundo, mas eu acredito que haja uma relação direta entre o conhecimento científico de uma pessoa e a propensão a ela se tornar atéia. Comigo pelo menos foi assim, e eu não tinha a mínima ideia se com outros ateus era parecido, mas pelo que eu ando lendo a respeito, esse parece ser um padrão. No livro Generation Atheist, sobre o qual eu falei a respeito nesse post, dos 25 ateus que descrevem sua história de vida, pelo menos uns 5 deles mencionam o entendimento da evolução como relevante para o fato de se tornarem ateus (não é a toa que a imagem que escolhi para representar o site é a que é).

O que eu quero dizer com isso não é que os ateus sejam necessariamente mais inteligentes que os crentes, ou que pessoas inteligentes têm uma tendência a se tornarem atéias. O conhecimento científico é somente uma parte da inteligência do ser humano, que engloba diversos outros níveis. Eu mesmo conheço pessoas muito inteligentes e que são religiosas fervorosas e ateus que detêm um enorme conhecimento científico mas não sabem se relacionar direito com outras pessoas. Inteligência envolve muito mais do que conhecer sobre a ciência.

O que eu quero dizer é somente que, em minha opinião, quanto mais conhecimento científico se adquire e entende, mais achamos a religião desnecessária. Como uma tal de Carla disse no site pensador livre, ciência e religião podem até caminhar juntas. Mas dificilmente chegarão juntas ao final da caminhada.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Ciência e ateísmo

  1. Obrigado por visitar meu blog. Sou evangélico, mas gostei de seu modo respeitoso de referir-se aos religiosos. Podemos pensar diferente, mas nem por isso devemos ser inimigos. Abraços.

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