Você conhece o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara?

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados acaba de receber um novo presidente, eleito esta semana, em sessão fechada: o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP).

Mas você sabe quem é o deputado Marco Feliciano?

É natural supor que para presidir uma comissão que lida com questões tão relevantes – toda matéria jurídica hoje em dia parece passar pelos direitos humanos – a pessoa eleita deva ser um exemplo de ética e moral, um parâmetro a ser seguido.

Mas, ok, todos sabemos que uma criatura com essas características no parlamento brasileiro é praticamente mítica. Então, sendo mais realista, esperaríamos pelo menos alguém que não fosse envolvido em questões controvertidas e que não demonstrasse publicamente idéias repugnantes.

Mas, depois de vermos eleitos Renan Calheiros, um político que acumula denúncias de corrupção, como presidente do Senado e o Tiririca como presidente da comissão de Educação e Cultura (nada contra o Tiririca mas, até ele tomar posse na câmara, havia dúvidas a respeito de sua alfabetização. E é uma comissão de educação e cultura!), receber uma notícia como essa já deveria fazer acionar nosso alarme interno.

Então, vamos pesquisar um pouco sobre quem é o deputado Marco Feliciano…

O deputado Marco, eleito deputado federal por  SP em 2010 com 211.855 votos, aparentemente exerce seu primeiro cargo político. A maioria dos políticos de carreira começam em funções locais e vão “subindo” até chegarem ao Congresso, com exceção daqueles que contam com alguma popularidade, o que garante votos suficientes para serem eleitos direto para o parlamento. Vejamos então qual era a profissão de origem do deputado… E quem diria, ele é pastor. Fundou o Ministério Templo do Avivamento, após “o Senhor visitá-lo de maneira sobrenatural” em 1996.

Político e pastor. Tem como ser mais confiável?

Político e pastor. Tem como ser mais confiável?

Até aí, tudo bem. Religiosos na política é o que não falta. A princípio seria só mais um representante dos evangélicos no Congresso. Porém, pesquisando um pouco mais sobre os ensinamentos professados pelo pastor, podemos perceber que ele tem uma visão de mundo bem, digamos, peculiar. Em seu blog e por seu twitter ele costuma difundir pensamentos que se não demonstrassem uma personalidade conscientemente ignorante e preconceituosa, poderiam passar muito bem por loucura (não descarto que seja ambos):

twitter2

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Tudo que eu consegui pensar depois de ler esses tweets foi: mas que m…?

Os sentimentos dos homoafetivos são podres e levam ao ódio, ao crime e à rejeição? Os africanos são descendentes diretos de Canaã, e cometeram o 1° ato de homossexualismo da história e por isso eles são amaldiçoados com o paganismo, ocultismo miséria e doenças? É sério isso? Esse é o nosso presidente da Comissão de Direitos Humanos? Se qualquer outra pessoa dissesse uma coisa remotamente parecida com isso na rua seria encaminhada à delegacia mais próxima, ou, na melhor das hipóteses, ao manicômio, onde seria entupida de remédios controlados.

Mas, ignoremos esse episódio, pode ter sido uma coisa pontual, o deputado/pastor pode ter tido sua conta no twitter hackeada, ou acordado com uma febre tórrida e não sabia ao certo o que estava escrevendo… Vamos assistir a um vídeo dele ministrando em sua igreja. O modo como ele trata seus fiéis certamente nos dará uma melhor visão de sua pessoa…

“É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim”

“Tem mais (dinheiro) aqui na frente? Glória a Jesus! Deixa eu ver o sobrenome dele? Feliz de Souza (risos). Mais um (cheque). Amém, amém. Tem gente que diz: ‘Pastor, pastor, R$ 1.000 eu não aguento’. Traga R$ 500. Você só não pode é perder a benção. Quem crê dá um jeito.”

Não, sério…  Em um único vídeo ele conseguiu:

  • Afirmar que quem está com a conta no vermelho é porque não deu dinheiro à igreja e comprou coisas pra si;
  • Condicionar a feitura de um milagre à doação do dízimo;
  • Pegar R$ 1.000,00 de um cadeirante;
  • Reclamar que o fiel deixou o cartão do banco com ele e não deixou a senha;
  • Pegar dinheiro de uma criança!

Por favor pastor! Esse deve ser o dinheiro da merenda dela cara! E ele ainda incentiva os pais a ensinarem os filhos a fazerem o mesmo. E o pior é que terão pais que vão fazer isso! Não é possível que isso tudo seja visto como normal pelas pessoas presentes no culto. Como elas podem achar que uma pessoa dessa é realmente porta voz de alguma entidade divina? Como uma quantidade tão grande de pessoas se deixa iludir tão facilmente? E ESSE É O NOSSO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS?

Não, calma, deixa eu ler as últimas notícias dele para ver se pelo menos na atividade legislativa ele está fazendo alguma coisa que preste…

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Ok, já deu né. Além de racista, homofóbico e mercenário, o pastor também é 171.

E é claro, a eleição do pastor já está recebendo o apoio de outros líderes religiosos. Do Silas Malafaia inclusive, que fez questão de afirmar que o Brasil é um país laico, mas não laicista, mas não se refreia em apoiar o deputado e dizer que os protestos contra a escolha é “um joguinho político de ativismo gay“. Pelo visto para Malafaia o Estado não pode ser laicista, mas se virasse uma teocracia moderna não haveria problema.

Mas, como tudo que é ruim pode piorar, há uma questão ainda mais grave nessa nomeação. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara é também a Comissão de Minorias! Ou seja, o deputado que acredita que os africanos são amaldiçoados e que os homossexuais têm sentimentos podres vai presidir a comissão que representa os afro-descendentes e homossexuais brasileiros! Eu espero que a câmara nem considere os ateus como uma minoria, pois eu tenho medo de qual seria a opinião do deputado a respeito dos descrentes.

Obrigado Congresso, por mais este tapa na cara da sociedade. Aguardo avidamente a nomeação de Fernandinho Beira-Mar para a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

PS: Se assim como eu, você achou essa nomeação um descabimento, entre em contato com a Câmara dos Deputados e registre o seu descontentamento. Pode  parecer um esforço inútil, mas se muitas pessoas se manifestarem contra, eles podem perceber que correm risco de perder votos e, como isso é tudo o que importa para políticos, há a chance de fazerem alguma coisa.

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