Goleiro Jefferson do Botafogo pode ser punido por “corte de cabelo religioso”

Quem assistiu ao jogo Flamengo x Botafogo esse domingo, pela semifinal da taça Guanabara, deve ter notado algo de diferente no ar. Mais especificamente na cabeça do goleiro da equipe alvinegra:

A religião faz mesmo a cabeça das pessoas...

A religião faz mesmo a cabeça das pessoas…

O corte de cabelo, de acordo com o jogador, é um símbolo dos Atletas de Cristo. “Significa nadar contra a correnteza”. Mas quem não achou o visual nem um pouco interessante foi o TJD-RJ.

Segundo o tribunal, o jogador pode ser punido por infringir as regras da FIFA, que proíbe a divulgação de qualquer mensagem religiosa pelos atletas dentro de campo.

Bom… Há dois lados a serem considerados nesse caso. O primeiro diz respeito à liberdade de expressão religiosa dos jogadores e o segundo ao cumprimento de regras.

Sendo ateu no país em que eu vivo, eu tenho que prezar bastante a liberdade de se manifestar as convicções religiosas pessoais. Não sei se essa regra da FIFA realmente se aplicaria a esse caso concreto, mas eu consideraria um exagero punir um jogador só por ele apresentar um corte de cabelo com um símbolo religioso. Me parece uma atitude que a princípio não ofende a ninguém e diz respeito mais ao próprio jogador do que aos outros. Não é um crucifixo exibido no meio de um prédio público, por exemplo. Acredito, inclusive, que muitos provavelmente nem saberiam o que significa o símbolo se não tivessem feito essa comoção toda em cima dele.

Além disso, essa não é nem de longe a primeira manifestação religiosa feita em campo por um atleta. Quantas vezes não se vêem jogadores fazendo o sinal da cruz ao entrar em campo, ajoelhar, apontar pro céu e agradecer a Deus quando ganham ou fazem gols, usar camisetas com dizeres religiosos por baixo do uniforme ou times inteiros reunidos no meio do campo orando antes das partidas… Isso sem contar as tatuagens que muitos deles têm louvando a Deus, Jesus, santos, orixás… Se um corte de cabelo é uma manifestação religiosa proibida, porque exibir um “Eu amo Jesus” tatuado no braço não seria também? Enfim, eu não consigo entender a lógica que usaram para implicar com esse caso em específico, no meio de tantos outros que pelos critérios adotados também parecem infringir as regras.

Porém, se o TJD-RJ realmente vier a confirmar que o corte de cabelo violou as regras, espero que o jogador e o clube cumpram com a punição sem maiores reclamações. Uma coisa é discordar de uma regra, outra é achar que você pode deixar de cumprí-la porque não concorda com ela. Embora eu não seja adepto da dura lex sed lex, especialmente em uma sociedade como a nossa onde os valores estão em constante mudança, também acho que se cada um fosse seguir somente as regras que acham justas, o caos ia imperar. O equilíbrio entre a rigidez extrema e a anarquia absoluta quase sempre me parece o caminho da justiça.

Então se os jogadores acharem que esta regra é muito rigorosa ou precisa ser melhor elaborada, com certeza há meios administrativos a serem utilizados para que ela seja modificada futuramente. Infelizmente não há ainda melhor maneira de se modificar as regras vigentes além da participação política e conscientização social.

Talvez, quem sabe, assim até consigam um dia fazer uma regra que proíba os jogadores de usarem chuteiras de cores esdrúxulas ou cabelos que contrariam o senso do rídiculo.

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