Opinando a entrevista de Silas Malafaia – parte 1

Não deve ser mais novidade pra ninguém a entrevista dada pelo pastor Silas Malafaia à Marília Gabriela no programa “De frente com Gabi”, semana retrasada, em 03/02/13. Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, segue abaixo a entrevista na íntegra:

Muito ja se foi discutido a respeito da entrevista pela internet, em fóruns e redes sociais. Vou tentar colaborar com a discussão, adicionando meus pensamentos a respeito do que foi debatido. Minha idéia inicial era fazer apenas um post comentando o vídeo todo, mas, depois que comecei, percebi que ia ficar muito grande e decidi fazer como Jack, o Estripador e ir por partes.

Irei transcrever os trechos que considerei mais relevantes e em seguida deixarei minhas considerações a respeito deles:

00:58/04:22

Marília Gabriela – Vamos começar pelo assunto mais atual, pela Forbes.

Silas Malafaia – Sim.

MG – Que é recentíssimo. A revista publicou que o senhor está em terceiro lugar entre os pastores evangélicos mais ricos do Brasil, com uma fortuna pessoal avaliada em 150 milhões de dólares, que dá, em números brasileiros, 300 milhões de reais. E o senhor contestou essa informação.

SM – Sim. Deixa eu te falar Gabi. É… safado, sem vergonha, bandido, caluniador, tem em tudo que é lugar. Pastor, padre, jornalista, tem em tudo que é lugar. Quando a Forbes faz uma declaração dessa, não é uma declaraçãozinha qualquer. Eu vivo de que? Eu vivo de que pessoas acreditem em mim pra darem ofertas, não é verdade? Porque eu sou um pouco diferente de outros pastores. As ofertas que eu recebo é mais de gente que não é da minha igreja. Eu sou pastor de igreja há dois anos e meio. Então eu, há 30 anos eu sou conferecista, tenho programas de TV e recebo verbas de pessoas que não me conhecem de perto. 80% são evangélicos e 20% é gente de tudo que é religião. Então quando eles falam isso, o que que subentende? O ser humano é um ser inteligente, que raciocina, que pensa “peraí, esse cara tem 300 milhões, tá roubando de gente”.

MG – Não, roubando não.

SM – Ele tá metendo a mão, eu gosto de ser, desculpa, eu sou muito franco. Esse cara tá com essa grana toda é porque ele tá metendo a mão em alguma coisa. Então vamos lá, onde é que tá a mentira e a safadeza? Primeiro, minha declaração do imposto de renda… Eu vou fazer porque você tem credibilidade, tô sendo honesto. Se eu tivesse em outro programa, outro jornalista… mas como você é uma jornalista de muita credibilidade, então exclusivamente aqui pra você, aqui, e no meu programa de TV, porque eu não devo nada, não tenho nada a temer, eu tenho aqui o espelho de bens do meu imposto de renda, tá aqui. Coisa sigilosa que ninguém dá, ninguém abre. Eu tô aqui com ele. O meu imposto de renda, depois você pode olhar o final, onde diz sobre o patrimônio que eu tenho, é 4 milhões de reais. Desses 4 milhões de reais, têm 2 milhões do capital da Editora Central Gospel, que eu sou obrigado a declarar o capital né, quando você abre a empresa, qual é o capital dessa empresa? Então isso entra no imposto de renda. Então eu tenho uma casa, 6 apartamentos, 3 meus filhos moram, 3 eu comprei em comodato de construção, que ainda faltam 30 prestações em Vila Velha, de um construtor evangélico, eu tenho um apartamento em Boca Ratón, que tá aqui a declaração de bens do Banco Central, ela tá aqui. Comprei por 149 mil dólares pra pagar em 30 anos. Se eu pegar esse patrimônio atualizado, porque você na declaração do imposto de renda você põe o dia que você comprou. Mas se eu pegar isso e atualizar o valor que vale a minha casa, que aqui tá por 800 mil porque foi quando eu comprei, eu vou ter aqui, de patrimônio atualizado, de valores de hoje, 4 milhões e meio. Ok? Aqui tem 4 milhões porque tem 2 milhões da minha participação na minha empresa. Então se eu tirar isso e atualizar. Então o que a Forbes tá falando, primeiro é mentira. O jornalista, o correspondente, acho que ele vai perder o emprego. Porque eu vou processar a Forbes nos Estados Unidos. Eu não vou processar aqui. Aqui não tem graça. Eu vou fazer doer lá. Porque eu acho uma safadeza você denegrir, porque se eu tivesse, eu também diria.

Bom, este é o artigo escrito pela revista Forbes. Em primeiro lugar, eu discordo que a revista afirme que a “fortuna pessoal” do pastor é de 150 milhões de dólares. No começo da reportagem a publicação diz “This has ended up turning some churches into highly lucrative businesses and making some leaders into multi-millionaires”, e depois se refere à “net worth” de Silas Malafaia. Pelo pouco que eu entendo de inglês, acredito que eles não estejam querendo dizer que o pastor tem 150 milhões de dólares no bolso dele para gastar.

Quando se faz o levantamento da fortuna de pessoas ou empresas, levam-se vários fatores em consideração. A participação em empresas, número de ações que ela possui de outras, quantidade de imóveis, investimentos financeiros, títulos de créditos etc. Quando a Forbes diz que Bill Gates, o homem mais rico dos EUA, tem uma fortuna estimada em 66 bilhões de dólares, não quer dizer que esse valor esteja depositado em sua conta à sua disponibilidade, e sim que a empresa que ele comanda, a Microsoft, possui esse valor de patrimônio, que por sua vez é calculado subtraindo seus passivos de seus ativos.

Assim, de maneira similar e segundo minha interpretação, quando a Forbes diz que o pastor tem uma “net worth” de 150 milhões de dólares, esta querendo dizer que a “empresa” que ele comanda, nesse caso a Assembléia de Deus, tem ativos e passivos que resultam nesse patrimônio estimado.

Agora, analisemos a quantidade de imóveis que a igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo deve possuir. Segundo o site da propria instituição, somente na cidade do Rio de Janeiro são 55 filiais. Talvez nem todos sejam imóveis próprios, alguns alugados, outros doados. Mesmo assim, se uma parte desses imóveis são bens da própria igreja, já entram na lista de ativos. Ainda analisando o site, podemos ver que a igreja possui ainda filiais em outras cidades do Rio, em mais 6 estados e até no exterior, sem contar outros bens que ela venha a possuir, como automóveis e benfeitorias. Eu diria que 150 milhões de dólares não é uma estimativa exagerada para esta quantidade de ativos. Além do mais a revista Forbes lida com o mercado de grandes fortunas desde 1917, quando foi fundada, então, como a própria Marília Gabriela aponta em outra parte da entrevista, uma publicação que trata há quase 100 anos do mesmo assunto deve conhecer minimamente sobre o que está escrevendo.

“Mas esse dinheiro/patrimônio não é do pastor, pertence à igreja, é usado para pagar as despesas que a igreja venha a ter” você pode estar imaginando. Sim, realmente, esse dinheiro pertence à igreja. E o que a igreja pode fazer com ele? O mesmo que você pode fazer com o seu dinheiro, o que ela quiser. Aí está o pulo do gato. Se o responsável pela instituição quiser gastar todo o dinheiro em jujubas ele o fará. Se quiser comprar um jatinho para os pastores se deslocarem para onde quiserem, pode também. Cada instituição aplica seu patrimônio onde bem entender.

Em relação à liberdade que possuem com seu patrimônio, talvez as duas maiores diferenças de uma igreja para uma empresa sejam estas: primeiro, as igrejas não têm que pagar imposto de renda (embora tenham que declará-lo e manter contabilidade). Segundo, elas não têm que dar satisfações do que vão fazer com seu dinheiro a acionistas e investidores. No final das contas estes dois detalhes dão a elas uma liberdade de gastos muito maior. Claro que igrejas grandes como a Assembléia de Deus também devem ter suas divisões hierárquicas, com outros membros influenciando a aplicação de recursos, mas acredito que a palavra final seja do representante da instituição, normalmente seu fundador.

Então apresentar a declaração de imposto de renda, embora seja uma boa jogada de marketing, não demonstra necessariamente transparência por parte do pastor. Como sua renda mesmo, só vai constar realmente o salário que ele ganha por sua função e o capital da editora que ele abriu (que também não representa o lucro ou patrimônio desta, como o pastor parece dar a entender, apenas o capital aplicado em sua constituição, mas isso nem vem ao caso). O dinheiro doado à igreja não é doado ao pastor, e sim à instituição, então se ele quisesse realmente ser transparente em relação à doação de seus fiéis, teria levado não sua declaração do imposto de renda, mas a da Assembléia de Deus, bem como seus livros caixas demonstrando a aplicação dos valores recebidos.

Isso nos leva à outra questão importante. Será que há realmente um problema em um pastor ou sua instituição ganharem muito dinheiro? Os empreendedores criam pessoas jurídicas, sejam elas empresas ou instituições religiosas, para que elas prosperem, não? O fato de haver milhões de dólares em cena deveria significar que o pastor está fazendo um ótimo trabalho, e não repercutir negativamente. Será então que afirmar que sua imagem é denegrida ao se dizer que ele ou sua igreja possuem esse patrimônio não seria uma contradição?

Aqui eu tenho que concordar em um ponto com o pastor. Na minha opinião, brasileiros em geral não vêem com bons olhos pessoas que alcançam o sucesso empresarial. Não sei se é devido ao cinismo adquirido após tantos anos vendo nossos representantes políticos envolvidos em vários esquemas de corrupção, ou a constatação de que abrir uma empresa no país é uma coisa extremamente dificultosa, mas o fato é que se você for um empresário e sua empresa deslanchar, rendendo uma boa quantia de dinheiro, a primeira coisa que vai passar pela cabeça da maioria das pessoas é que você deu um jeito de ganhá-lo desonestamente. E isso certamente não seria bom para a reputação do pastor.

Assim, por um lado, acho não se pode condenar o simples fato de um pastor comandar uma instituição religiosa que alcance um patrimônio de milhões de reais. É uma coisa que a princípio pode acontecer com qualquer pessoa honesta, e todos são inocentes até prova em contrário. Além do mais ele está oferecendo um serviço que é aceito livremente por seus fiéis, então não há nada de ilegal nisso. Se há coação, se é uma coisa ética, é discutível, mas a princípio esse fato por si só não deveria ser problemático.

Por outro lado, quando se funda uma igreja, a intenção principal não é (ou não deveria ser) gerar lucro, como o é ao se abrir uma empresa. Assim, eu sempre fico surpreso em perceber a facilidade com que as instituiçoes religiosas, mesmo as recém formadas, têm em arrecadar tantos milhões, enquanto 60% das  empresas fecham suas portas antes de completar 2 anos. E nesse caso isso não se aplica somente à Assembléia de Deus, afinal a Igreja Católica possui um patrimônio muito mais vasto que ela, e não se vê nenhum jornalista perguntando aos bispos e cardeais sobre a origem desse dinheiro ou se seus fiéis se sentem lesados ao contribuir.

Mas talvez o maior problema em se perceber a quantidade de dinheiro arrecadada pela Assembléia ou qualquer entidade religiosa resida no fato de em uma sociedade capitalista como a nossa, sabermos que quanto maior o capital de um grupo, maior é o poder em suas mãos e a influência exercida por ele na sociedade, o que por sua vez vai fazer com que ele arrecade mais, criando um círculo vicioso. Assim, ao tentar minimizar a quantidade de dinheiro em seu controle, Malafaia visa não só manter a integridade de sua imagem, mas também efetivar os métodos de controle de seus seguidores e sua esfera de influência. E isso sim pode ser problemático, pois se dar poder a qualquer figura religiosa já pode ser perigoso, fazer isso com alguém que acha a homofobia não só é uma coisa normal, como um direito, é preocupante em excesso.

Em breve postarei a parte 2, opinando em mais um trecho do vídeo.

*update: clique aqui para ler a parte 2.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Opinando a entrevista de Silas Malafaia – parte 1

  1. C A L O T E J U D I C I A L
    AO RESPONDER À PESQUISA DE SATISFAÇÃO DO USUÁRIO DA JUSTIÇA NO BRASIL, É IMPERIOSO TORNAR PÚBLICO O FATO QUE SE SEGUE; PORQUE DEUS SABE QUE ENQUANTO HOUVER INJUSTIÇA ENTRE OS HOMENS, NÃO HAVERÁ PAZ NA TERRA:
    Saiba todo o Povo Desperto que as principais Autoridades que se assenhorearam do poder da justiça, como titulares do STF e do CNJ, além da própria Presidência da Republica; já têm conhecimento formal do caso, e se mantém coniventes na consumação de mais uma injustiça: Depois de ter sido julgado favoravelmente em última Instância, pela 3ª. Região do STF; o Processo no. 88026001-2 de 1988, foi sumariamente sepultado vivo pela 14ª. vara da justiça federal em São Paulo/SP, por falta de IRRESIGNAÇÃO; constituindo-se em prova formal e inconteste de um vergonhoso calote judicial, perpetrado por pura maldade contra um jornaleiro-Pai de família, sacrificando particularmente órfãos e viúva que dependerão da respectiva aposentadoria para sobrevivência; corroborando o injusto e desumano estado de direito que tem imperado nessa babilônia brasileira.
    (GL.4.30) – Contudo, que diz a Escritura? (SL.68.5) – Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada; (PV.21.23) – porque o Senhor defenderá a causa deles e tirará a vida aos que os despojam:(SL.33.14) Do lugar da sua morada, observa todos os moradores da terra: (1CR.16.14) – Ele é o Senhor nosso Deus; (RM.2.6) – que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: (DT.27.19) – Maldito é aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva: (EC.34.26) – Quem tira a um Homem o pão que ele ganhou com o seu amor, é como o que mata seu o próximo: (HB.10-30) – Ora, nós conhecemos Aquele que disse: A mim pertence a vingança, eu retribuirei; (LS.1.15) – porque a justiça é perpetua e imortal: (JB.15.25) – Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei; (JR.4.27) – pois assim diz o Senhor: (ML.3.5) – Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros. contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o salário do jornaleiro, e oprimem a viúva e o órfão, e torcem o direito do estrangeiro e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos: (PV.28.20) –O Homem fiel será acumulado de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo: (JR.16.21) – Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta vez lhes farei conhecer a minha força e o meu poder; e saberão que o meu nome é Senhor Arnaldo Ribeiro; (FL.2.6) – pois ele, subsistindo na forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; (LS.2.23) – porquanto Deus criou o Homem inexterminável, e o fez à imagem da sua semelhança: (JÓ.16.19) – Agora já sabei que a minha testemunha está no céu; e, nas alturas quem advoga a minha causa.

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